Mestre Queiriga
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A sua empresa conhece realmente a margem dos produtos que vende?

Uma empresa pode aumentar as vendas e, ainda assim, não melhorar a sua rentabilidade.

Isto acontece porque vender mais não significa necessariamente ganhar mais. Para compreender o contributo de cada produto para os resultados, é necessário conhecer os custos envolvidos na sua produção e comercialização.

Mas será que a sua empresa conhece realmente esses custos?

O problema: conhecer o preço não é conhecer a margem

Imagine uma PME industrial que produz diferentes artigos.

A empresa conhece os preços de venda, os valores pagos aos fornecedores e os salários dos colaboradores. No entanto, parte da informação está dispersa por folhas Excel, documentos e sistemas diferentes.

Quando precisa de avaliar a rentabilidade de um produto, utiliza os custos mais facilmente identificáveis.

O problema surge quando ficam de fora custos que também fazem parte da produção.

Energia, manutenção, equipamentos, tempos improdutivos e outros encargos industriais podem ter um impacto relevante no custo final.

Exemplo prático: quanto ganha realmente a empresa?

Vamos considerar um produto vendido por 100 €, sem IVA.

A empresa identifica os seguintes custos unitários:

Rubrica Valor
Matéria-prima 40,00 €
Mão de obra direta 20,00 €
Custos indiretos industriais atribuídos 15,00 €
Custo industrial total 75,00 €
Preço de venda 100,00 €
Margem industrial unitária 25,00 €

A margem industrial sobre as vendas é calculada da seguinte forma:

Margem (%) = (Preço de venda − Custo industrial) / Preço de venda × 100

Neste exemplo:

Margem = (100 − 75) / 100 × 100 = 25%

Por cada unidade vendida, a empresa obtém 25 € de margem industrial.

E se ignorarmos os custos indiretos?

Se a empresa considerar apenas a matéria-prima e a mão de obra direta, poderá concluir que o produto apresenta uma margem de 40 €.

Mas essa conclusão deixa de fora 15 € de custos industriais atribuídos a cada unidade.

A diferença é significativa: a análise passa de uma margem aparente de 40% para uma margem industrial de 25%.

Na prática

Uma margem industrial de 25% não significa que a empresa tenha uma rentabilidade líquida de 25%.

Ainda podem existir gastos comerciais, administrativos, financeiros e outros encargos que não foram considerados neste exemplo.

Porque é difícil conhecer o custo real dos produtos?

O desafio nem sempre é a falta de informação. Muitas vezes, é a dificuldade em relacionar dados que já existem.

Uma empresa pode conhecer o consumo total de energia, mas não saber quanto desse consumo deve ser atribuído a cada processo produtivo.

Pode registar as horas dos colaboradores, mas não distinguir corretamente o tempo produtivo do tempo improdutivo.

Ou pode elaborar um orçamento com determinados custos e nunca comparar esses valores com o que realmente aconteceu durante a produção.

Estas situações dificultam a identificação dos produtos, clientes ou encomendas que mais contribuem para os resultados.

Como melhorar o controlo das margens?

O ponto de partida não tem de ser a implementação de um software complexo.

Recomendo começar por quatro medidas:

  1. Estruturar os custos: identificar matérias-primas, mão de obra, operações produtivas e custos indiretos relevantes.
  2. Definir critérios de imputação: estabelecer regras coerentes para distribuir os custos comuns pelos produtos.
  3. Comparar o previsto com o realizado: analisar diferenças de consumo, tempos de produção e outros desvios.
  4. Acompanhar a evolução: atualizar periodicamente os custos e as margens, em vez de depender de cálculos pontuais.

Com estas bases, a empresa consegue compreender melhor onde está a gerar valor e onde precisa de intervir.

E onde entra a automatização?

Quando os dados estão espalhados por vários ficheiros e aplicações, preparar uma análise de margens pode tornar-se um processo demorado.

A automatização pode ajudar a reunir informação de compras, produção e vendas, aplicar regras de cálculo e atualizar indicadores.

Em vez de dedicar várias horas à consolidação manual de dados, o responsável de gestão pode concentrar-se na análise dos resultados e na identificação de oportunidades de melhoria.

A tecnologia, por si só, não resolve problemas de gestão. O verdadeiro benefício surge quando os processos, os dados e os indicadores estão bem definidos.

Conclusão: a informação só tem valor quando apoia decisões

Conhecer a margem de cada produto não serve apenas para elaborar relatórios.

Serve para avaliar preços, identificar ineficiências, melhorar orçamentos e compreender quais os produtos que contribuem efetivamente para a rentabilidade da empresa.

E deixa uma pergunta importante:

Se hoje tivesse de identificar os cinco produtos mais rentáveis da sua empresa, conseguiria fazê-lo com informação atualizada e fiável?

MESTRE QUEIRIGA

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